O que é a “chuva de container”? E como preveni-la?

O que é a “chuva de container”? E como preveni-la?

Todos os dias é descartada uma enorme quantidade de produtos de exportação deteriorados, apodrecidos, avariados ou comprometidos, gerando não só grandes perdas financeiras, mas também muito desperdício, afetando a natureza.

Boa parte desses problemas é gerada por conta da liberação e/ou acúmulo de umidade dentro dos containers, resultando na “chuva de container”.

Esse fenômeno é muito comum, principalmente em transportes marítimos, onde os containers estão expostos a constantes variações de umidade e temperatura, além de chuva e tempestades.

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Você sabia?

Aproximadamente 10% das cargas de containers são descartadas por conta de problemas causados pela umidade.
Fonte: ukpandi.com

 

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O que é “chuva de container”?

Quando você deixa um recipiente fechado com água em um ambiente quente logo você verá gotículas de água nas paredes desse recipiente. Esse mesmo efeito ocorre, em larga escala, nos containers.

Muitos containers são carregados em regiões portuárias ou próximas ao mar, onde o ar é mais úmido, ou seja, contém mais água. Logo:

A umidade presente no ar do container
+
A umidade da carga
+
A umidade do ar de fora do container
(que entra pelos canais de ventilação)
+
As altas variações de temperatura
=
Chuva de container

Quando a temperatura diminui, a umidade se condensa nas áreas mais frias do container. À medida que a temperatura do container vai aumentando, e atinge o ponto de orvalho, a umidade condensada expande e sobe, se prendendo ao teto e às paredes do container. Então, quando esfria novamente e a água no teto e nas paredes é muita, ela “chove” de volta, umedecendo, ou até encharcando, a carga.

Transporte internacional

Nos containers transportados internacionalmente, em navios, essa conta é multiplicada devido ao longo período em proximidade ao ar mais úmido do oceano, maiores ciclos de mudanças de temperatura, e a exposição às chuvas.

Ponto de orvalho

O ponto de orvalho é a temperatura na qual o vapor de água contido no ar ambiente passa, por meio da condensação, para o estado líquido, na forma de pequenas gotículas, conhecidas como orvalho.

Folhas compridas cheias de gotículas de orvalho
Aquele mesmo orvalho que você vê nas plantas logo após o amanhecer

Ou seja, é o ponto onde, naquela temperatura, a umidade relativa do ar em questão atinge 100%, ficando saturada de vapor d’água, iniciando a condensação.


Umidade do ar X Umidade relativa do ar

Você provavelmente já viu essas expressões na previsão do tempo no jornal. Pois bem, elas são parte dos indicadores usados na meteorologia para fazer as previsões do tempo e saber como ele se comportará.

Umidade do ar (UA) é a quantidade de vapor d’água presente na atmosfera, o que indica se o ar está seco ou úmido, e varia constantemente.

A umidade presente no ar se dá por conta do processo de evaporação da água. O vapor sobe para a atmosfera e se concentra parte em forma de nuvens, parte na composição do ar circulante na atmosfera, influenciando as temperaturas, a sensação térmica, as chuvas, e até mesmo nossa saúde.

A baixa umidade do ar pode causar diversos danos para a saúde humana, como alergias e complicações respiratórias, ressecamento da pele e de mucosas, irritação dos olhos, além do aumento da probabilidade de incêndios.

Umidade relativa do ar (UR) é a relação entre a quantidade de água que há no ar ambiente (umidade absoluta) e o máximo que pode haver na mesma temperatura (ponto de saturação). Essa relação é dada em porcentagem, variando entre 0 e 100%. Quando o ar está saturado e a umidade relativa chega a 100%, significa que o ar, na temperatura em que está, ficou saturado de água, sendo impossível absorver mais.

O cálculo de umidade relativa é feito através da divisão da massa de vapor de água em relação à massa de vapor de água máxima, multiplicando o resultado por 100, chegando a uma porcentagem.

Gráfico de linhas que mostra o ponto de orvalho em relação à temperatura do ar e a umidade relativa
Gráfico do ponto de orvalho em relação à temperatura e umidade relativa do ar

A importância da proteção contra umidade nos containers

Ao importar ou exportar produtos é sempre importante tomar todas as precauções para evitar quaisquer danos.

Com a economia atual, ficando cada vez mais difícil conseguir bons clientes, principalmente no exterior, não podemos nos dar ao luxo de perdê-los. O nível de exigência está cada vez mais alto, e a tolerância a erros, menor, sobretudo àqueles facilmente evitáveis, afinal muitas vezes não há uma segunda chance.

Entregar cargas mofadas ou comprometidas pode gerar grandes prejuízos financeiros, causar muito estresse, desgastar a sua relação com o cliente, além de ser bastante prejudicial para a imagem da sua empresa.

É sempre bom lembrar que:

É melhor prevenir do que remediar.”

Cargas avariadas e gotas d'água pingando do teto de containers

A “chuva de container” pode conter litros e mais litros de água. Imagina o estrago que esse aguaceiro todo pode causar!

Como se proteger contra a “chuva de container”

A menos que o container seja selado a vácuo, ele sempre vai ter alguma umidade em seu interior.

Existem algumas formas de prevenção, cada uma com suas vantagens e desvantagens. Veja abaixo algumas delas:

• Dois corpos não ocupam o mesmo espaço

Uma medida que pode ajudar é transportar o container com a maior quantidade de carga possível. Quanto mais carga, menos ar, logo, menos umidade, afinal “dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo”.  O que não significa que um container lotado até o teto não tenha nenhuma umidade dentro, apenas que tem bem menos espaço para umidade que um container pela metade, por exemplo.

• Pallets plásticos ao invés dos de madeira

Até o tipo de material usado nos pallets afeta a quantidade de umidade no container. A madeira absorve e retém umidade, podendo, também, mofar com a “chuva de container”. Pallets de plástico, apesar de mais caros, evitam esse tipo de problema, duram bem mais, e são recicláveis.

• Materiais das cargas e embalagens

O tipo de material da carga também influencia a quantidade de água no container. Cargas com muitas fibras, como produtos agrícolas, móveis, roupas e outros tecidos, contém uma certa quantia de umidade que pode ser eliminada no ar durante o transporte.

As embalagens ou materiais usados, como madeira, cartão, papelão, algodão e espuma, também têm e absorvem bastante umidade, por isso devem ser levadas em conta e serem escolhidos os tipos certos de embalagens de acordo com cada carga.

Ventilação

A ventilação também é uma aliada na hora de prevenir a “chuva de container”. É sempre bom evitar cobrir as áreas de ventilação dos containers, pois elas fazem o ar aquecido de dentro do container circular e levar consigo a umidade excessiva.

• Dessecantes

Como visto nesse post dessecantes são substâncias higroscópicas, usadas para reduzir a umidade relativa. Geralmente eles são usados colados ou pendurados entre as “canaletas”do interior do container. São a forma com melhor custo benefício e maior eficiência na hora de prevenir a “chuva de container”, pois eles absorvem a água antes que ela condense e se acumule.


Agora que você sabe o que é, e principalmente como se prevenir da temida “chuva de container”, tenha certeza de que sua carga e seu investimento estejam protegidos, e que suas perdas cheguem próximo a zero.

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