5 fatores que podem aumentar a umidade nos seus containers

5 fatores que podem aumentar a umidade nos seus containers

Quando o assunto é importação e exportação, os containers são uma das embalagens mais utilizadas, tornando os transportes e armazenagens mais seguros, ágeis e econômicos.

Porém todos os dias são descartadas enormes quantias de produtos de exportação avariados, deteriorados ou apodrecidos. Na maior parte dos casos essas perdas se dão pelo acúmulo de umidade dentro dos containers, gerando a temida “chuva de container”.

Nesse post vimos o que é e como ocorre a chuva de container, mas você sabia que existem outros fatores além da temperatura,umidade do ar e cargas, que podem contribuir para o aumento da umidade dentro dos containers?

Alguns desses fatores podem ser detectados e resolvidos, já outros não são tão facilmente controláveis.

Por isso é preciso saber como identifica-los e resolvê-los para não comprometer as suas mercadorias, nem sobrecarregar ou até mesmo prejudicar a ação dos dessecantes, que são insumos responsáveis por remover a umidade dentro dos containers e manter a carga segura.


Antes mesmo de se adquirir um container, é preciso analisar alguns pontos, para se evitar problemas futuros, alguns deles são:

  • Documentação em dia – para ter a garantia de legalidade do container
  • Procedência do container
  • Consultar órgãos públicos
  • Verificar estrutura do container – entre os pontos a serem verificados estão:
    • Amassados
    • Corrosões
    • Longarinas (peças que protegem as junções das paredes dos containers)
    • Travas e portas
    • Dispositivos de fechamento

Não é só a umidade do ar e da carga que pode contribuir para a “chuva de container” e a deterioração das mercadorias. Outros fatores também podem contribuir para o acúmulo de umidade dentro dos containers, podendo até mesmo prejudicar a ação dos dessecantes no Transit Time .


O que pode contribuir para o aumento de umidade no interior do container?

Se engana quem pensa que somente a umidade do ar presente no interior do container e a umidade das mercadorias são as vilãs das cargas e causadoras da “chuva de container”. Existem outros fatores que podem contribuir, e muito, para a entrada de umidade em forma de vapor d’água, e até mesmo água líquida, dentro do container. Veja abaixo alguns desses elementos:

1. “Idade” do container

Os containers mais novos, considerados aqueles que têm 2 anos ou menos, são ideais para quem busca alta qualidade e durabilidade, pois eles não foram tão expostos às rigorosas condições das viagens marítimas, por isso são mais indicados para transporte de produtos alimentícios.

Já os containers mais antigos, que podem durar até 10/12 anos, e que já foram expostos às mais diversas circunstâncias, não são os ideais para conteúdo alimentício, porém ainda podem ser utilizados para outros tipos de cargas, mas sempre prestando atenção às suas condições.

Os containers mais antigos merecem atenção redobrada, afinal já passaram por variadas condições climáticas, além de existir a maior probabilidade de já terem sofrido incidentes e reparos.

Pilhas com vários containers velhos, com partes amassadas e enferrujadas
Containers velhos podem representar maiores riscos às mercadorias

2. Buracos e rachaduras

Por mais que pareça óbvio que pequenos buracos, rachaduras e desníveis permitam a entrada de água nos containers, muitas vezes eles passam despercebidos ou não são reportados para serem devidamente selados.

Esse furos, por menores que pareçam, podem afetar a ação dos dessecantes, e prejudicar a carga como um todo, porque afetam as condições internas do container e sobrecarregam a capacidade de absorção dos dessecantes, além de fazerem a água entrar em contato diretamente com a carga.

Container branco com amassado em uma das canaletas, além de outras avarias menores
Pequenas avarias podem esconder buracos e rachaduras

3. A posição no navio

Nos navios porta-containers as cargas são transportadas em containers padrões, que são dispostos pelo sistema bay-row-tier (baia-fileira-camada), que utiliza coordenadas numéricas relacionadas ao comprimento, largura e altura.

A ordem e posição dos containers são selecionadas seguindo determinações específicas, e isso deve ser motivo de atenção para quem envia produtos para exportação.

Setas indicando as posições do sistema bay-row-tier em uma pilha de containers
Fonte: Posey-intl.com

Alguns navios possuem tampas de escotilhas de carga que levam para porões especiais separados. Já outros navios não possuem essas tampas, seus porões ficam expostos, e o empilhamento dos containers é reduzido devido à diminuição da resistência estrutural.

Dado isso, a posição em que o container se encontra no navio pode interferir, e muito, na qualidade do transporte e na probabilidade do aumento da umidade no container.

Os containers situados nas partes mais altas e expostas das pilhas estão mais sujeitos à grandes mudanças de temperatura, por efeito da alta incidência da luz solar. Ao longo do dia, conforme os containers recebem mais e mais luz do sol, mais eles vão se aquecendo e aumentando seu ponto de orvalho.

Já os containers nas partes inferiores e porões, correm o risco de alagamentos por conta de acúmulos de água das chuvas, logo, para evitar esses problemas deve haver manutenções e monitoramentos regulares em busca de vazamentos e inundações.

Além disso, quando no mar, o navio é submetido a violentos solavancos e arremessos, atrapalhando a carga e prejudicando a estabilidade do navio. O que se torna ainda mais preocupante quando combinado com o item a seguir.

4. Alterações climáticas

Se o navio passar por intensas tempestades ou tufões em alto-mar, as gigantescas ondas atingem parte dos containers, que se não estiverem devidamente protegidos podem deixar entrar altas quantidades de água em seu interior, e se não estiverem bem amarrados podem causar um colapso na pilha e fazer com que diversos containers caiam do navio e se percam no mar.

E, mesmo em condições agradáveis e tempo estável, os vários ciclos de mudanças de temperatura ao longo dos dias,combinados com as enormes alterações e diferenças climáticas de um país para outro, contribuem para o acontecimento da “chuva de container”.

Por isso o navio (principalmente os porões) em condições climáticas normais, deve ser verificado uma vez ao dia. Já em climas desfavoráveis devem ser feitas vistorias em intervalos regulares.

5. Respiros abertos

Os respiros do container são aqueles pequenos conjuntos de furinhos que ficam na parte superior das laterais dos containers. Eles são utilizados, principalmente, na fumigação, que é um processo químico de dedetização a seco feito através de um gás fumigante, para remoção de pragas e controle fitossanitário.

Com uso de fitas adesivas de polietileno, todos os respiros e orifícios do container são vedados para a introdução do gás fumigante, e, após o tempo de ação desse gás, os respiros são novamente abertos para que os vapores químicos possam de dissipar mais facilmente, e não sejam liberados em tanta quantidade quando a porta do container for aberta, pois possuem um cheiro muito forte e desagradável.

E, assim como em alguns casos é preciso deixar os respiros do container abertos durante o transporte marítimo, em muitas outras ocasiões é imprescindível que eles sejam fechados, com a mesma fita de polietileno utilizada na fumigação. Pois os perigos da possibilidade de entrada de alguma quantidade de água são muito maiores que as vantagens da abertura dos respiros para ventilação.


Agora que você já sabe quais os fatores que podem contribuir para o aumento de umidade dentro dos seus containers, não ignore essas recomendações e espere contar com a sorte torcendo para que nada disso afete suas mercadorias.

A revisão e solução desses problemas, combinado com a ação de dessecantes, são garantia de proteção contra os danos da umidade nos seus containers.

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